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Um “fora” compreensível e as desculpas necessárias 17/07/2011

Posted by Fiscal Ambiental in Ibama, Meio Ambiente Urbano.
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Fonte: Tijolaço do Brizola Neto..

É fácil dar pitaco na vida dos outros. Claro que temos de cuidar – e muito mais do que cuidamos – do nosso meio-ambiente. Mas é irritante a política de nos querer fazer de “reserva ecológica” do mundo, sem atentar que este é um país que pode e vai se desenvolver com muitíssimamente menos destruição que aqueles que nos procuram dar lições.

Está repercutindo a reação “pavio curto” do presidente do Ibama, Curt Trennepohl, a uma repórter australiana. Sentindo-se desrespeitado, o presidente do Ibama,deu uma “gauchada” (ele é gaúcho, aliás), leia só:

A repórter da Nine Network perguntou a Trennepohl se ele estava tranquilo com a decisão de licenciar a obra (de Belo Monte).

“Sim, a decisão foi minha”, respondeu Trennepohl.

“Mas seu trabalho não é cuidar do ambiente?”

“Não, meu trabalho é minimizar os impactos.”

Após a entrevista, sem saber que ainda estava com o microfone ligado, Trennepohl tentou argumentar com a jornalista australiana:

“Vocês têm os aborígenes lá e não os respeitam.”

“Então vocês vão fazer com os índios a mesma coisa que nós fizemos com os aborígines?”, questionou Landgon.

“Sim, sim”, respondeu Trennepohl.

Hoje há cerca de 500 mil aborígines na Austrália, compondo menos de 3% da população do país.
Ao longo do século 19, os colonos britânicos que ocuparam a ilha  chegaram a conduzir campanhas de extermínio, com recompensas pela morte  de aborígines. O caso mais grave foi o da Tasmânia, Estado onde toda a  população aborígine não mestiça tinha sumido em 1876.

Procurado pela Folha, o presidente do Ibama disse que foi  agredido verbalmente pela repórter e que não afirmou “de forma nenhuma”  que seu trabalho não era cuidar do ambiente brasileiro.

“Essa moça chegou numa atitude extremamente agressiva, disse que eu estava acabando com os índios.”
Segundo Trennepohl, “a função do órgão licenciador é minimizar impactos  quando um empreendimento é licenciado. Quando não dá para minimizar, nós  indeferimos”, afirmou.

Ele disse que não comentaria as declarações sobre os aborígines da Austrália.

Claro que o presidente do Ibama errou, e errou feio, porque na vida pública a gente tem de segurar os nervos acima e além do normal.

Mas não é o primeiro episódio assim. Outro gaúcho, João Saldanha, deu um coice destes numa entrevista a uma televisão alemã, que insistia em saber quantos índios foram mortos no Brasil: “em quase quinhentos anos, menos do que vocês mataram em dez minutos de campo de concentração”, provocando um tremendo mal-estar.

Temos de preservar, com todas as energias que tivermos e mais as que pudermos inventar, natureza e povos indígenas. Eles são insubstituíveis. Mas um pouco de respeito é bom e a gente gosta, porque não se imagina que a australiana faça uma pergunta destas às autoridades de lá, onde se praticou um massacre tão estúpido que chegou a ser criado um termo – geração desaparecida –  para designar dezenas de milhares de crianças aborígenes que foram retiradas de suas famílias, levadas a instituições e desaculturadas e muitas delas jamais vistas de novo. Quem assistiu ao filme “Australia” , com Nicole Kidman, viu um exemplo “suavizado” desta história.

O único exemplo da Austrália, neste matéria, que devemos seguir é o pedido de perdão que, depois de muita destruição, o governo do país fez em 2009, ampliando a proteção social aos aborígenes remanescentes. Só esse, não o da brutalidade com que lá e cá os povos autóctones foram tratados.

De qualquer forma, é bom que o presidente do Ibama se cuide para ser mais macio com as palavras e firme nas ações. Não custa se desculpar pela gauchada.

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