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Natal e suas ruas carroçáveis 20/08/2011

Posted by Afauna Natal in Meio Ambiente Urbano.
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Fonte: Tribuna do Norte.

Sara Vasconcelos
Repórter

Figura fácil nas vias de Natal, os carroceiros parecem trafegar  sem se preocupar em piorar o já conturbado trânsito da cidade. Animais, carroças e cargas ocupam livremente as faixas em qualquer horário do dia. A atividade é apontada ainda como responsável por agredir o meio ambiente, com o descarte irresponsável do lixo. Os carroceiros costumam retirar o lixo de um local e apenas levá-lo a outro, elegendo como área de descarte o terreno baldio mais próximo. Os animais são vítimas ainda de maus tratos e abandono, expostos a pesos excessivos e castigos.

alberto leandroNão há qualquer controle sobre o tráfego de carroças pelas ruas de Natal. Audiência Pública convocada pelo Ministério Público tenta iniciar um projeto para apontar soluções também para maus tratos dos animaisNão há qualquer controle sobre o tráfego de carroças pelas ruas de Natal. Audiência Pública convocada pelo Ministério Público tenta iniciar um projeto para apontar soluções também para maus tratos dos animais

Para regularizar a atividade e preservar também o lado social, o Ministério Público Estadual irá realizar no próximo dia 16 de setembro audiência pública para discutir a situação dos carroceiros da cidade. A audiência pública, que será realizada na Procuradoria Geral de Justiça, servirá para discutir junto a população e técnicos possíveis soluções para a formulação de um Compromisso de Ajustamento de Conduta com os órgãos responsáveis –  Urbana, Semsur, Semob, Centro de Zoonoses, entre outros.

Segundo o cadastramento realizado pela Companhia de Limpeza de Natal –  Urbana, no último dezembro, existem hoje 760 carroceiros identificados em Natal, contudo, o número real deve ultrapassar os  1,2 mil. “Não há como mensurar, mas continuamos a cadastrar os carroceiros”, disse o diretor de planejamento da Urbana Ítalo Alves. A companhia irá apresentar durante a audiência o Plano Municipal de Carroceiros, ainda em fase de conclusão.

O plano visa extinguir as carroças e oferecer meios para que esses trabalhadores possam adquirir esses equipamentos, além de regularizar a situação dos carroceiros cadastrados e reativar a cooperativa de reciclagem de lixo. “Será um processo gradativo. A meta é que até 2016 não tenhamos mais carroças e animais nas ruas”, prevê Ítalo Alves.

Carroceiro há 30 anos, Ribamar Moraes de Souza, 43 anos, é a favor de regularização, mas faz um apelo para que priorizem o lado social e humano da atividade. “Não adianta colocar placa para multar, se não derem condições pra gente trabalhar. Quem está nessa vida é porque não tem outra coisa”, lembra. Segundo ele, a substituição do cavalo, deve vir atrelada a subsídios para compra de novos equipamentos. “Com R$ 250 que a gente tira num mês é impossível”, avalia.

Outra parte, que deverá ser desenvolvida pelas demais secretarias, deverá delimitar a área de circulação. “À Semob compete fazer a identificação dessas carroças e trabalhadores, bem como delimitar áreas e horários para a atividade, que devem se restringir a áreas internas dos bairros”, antecipou o diretor de fiscalização de trânsito Márcio Sá.

A circulação é mais intensa em avenidas de grande fluxo como a Salgado Filho, Prudente de Moraes, Bernardo Vieira, como também ao longo da BR-101, de cordo com o diretor. Durante o tempo que a reportagem esteve na rua, foi possível flagrar ultrapassagens perigosas, nas avenidas Jaguarari, ocupação irregular de faixa causando longa fila na Rua Meira e Sá, em barro Vermelho, e situações de risco na Capitão-Mor Gouveia, quando um carroceiro resolveu estacionar em meio ao fluxo de veículos, para ajustar a carga. Uma rua projetada no contorno do parque da Cidade, por trás de um condomínio residencial na Jaguarari é usado por carroceiros como área de descarte de material. Pilhas de entulhos, podas e até lixo doméstico se acumulam ali.

Alberto LeandroCarroceiro se arrisca em meio aos veículos na margem da BR-101Carroceiro se arrisca em meio aos veículos na margem da BR-101

Apesar de casos conhecidos do natalense, a Semob não tem estatísticas sobre o envolvimento de carroças em acidentes de trânsito. “Não há como fiscalizar e autuar essas infrações, se ainda não ´r possível identificar os infratores, nem ter espaço para colocar carroças e cavalos”, admite Sá. Os números registrados pelo Detran/RBN, por sua vez são mínimos,  em média 20 registros ao ano. O número chega com a observação de não responder a realidade, uma vez que em geral, os motoristas desistem de registrar por entender que o carroceiro não teria condições de

Estrutura do curral será discutida

A retirada e destinação desses animais é outro ponto a ser tratado durante a audiência pública. Hoje os animais de grande porte que são recolhidos nas ruas, seja por maus tratos ou por abandono, são levados para o Curral do Município, nas Quintas. Na manhã de ontem, o espaço abrigava número bem inferior. Cerca de 40 animais aguardam serem resgatados pelos antigos donos ou postos para a doação. À entrada do curral, um animal morto aguardava a retirada pela Urbana.

O espaço administrado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) tem capacidade para 100 animais, segundo o gerente do setor Delzimar Soares Silvestre. E passou por reformas na cobertura, cerca e cocho.

A maior parte chega por denúncias. A central atende cerca de 5 chamados por dia. Em geral, casos de abandono em vias. “Os animais são trazidos pelo caminhão e se, em 15 dias não reclamarem, colocamos para adoção”, afirma o gerente. O número de entradas quase se equivale às saídas, o que contribui para evitar superlotação do estábulo. “A superlotação é pontual. Não temos problemas com isso, por que há uma busca grande”, afirma. Muitos dos equinos são entregues ainda para pessoas no interior.

Para resgatar o animal é preciso preencher um termo de responsabilidade. Em casos de violência, em geral, os animais não retornam para os proprietários.

Delzimar Soares conta ainda que é comum chegarem animais machucados, com patas quebradas, surrados. Os animais recebem os cuidados de um veterinário uma vez por semana. disse. O espaço conta com dez tratadores. No entanto, há defasagem durante os fins de semanas para atender os chamados, que chegam a 50 denúncias. “Um projeto de plantões está sendo concluído pela secretaria”, disse.

Serviço

Denúncias para recolhimento de animais podem ser feitas ao Setor de Animais da Semsur, pelo 3232-8945.

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